A reforma tributária já começa a redesenhar o cenário para quem possui imóveis, empresas ou estruturas patrimoniais.
Mais do que mudanças teóricas, os impactos são práticos — e, em muitos casos, significam aumento de carga tributária e necessidade de revisão das estratégias atuais.
Estrutura patrimonial: como funciona hoje
De forma geral, o planejamento patrimonial se baseia na organização dos bens dentro de um veículo de investimento, como:
- holdings
- fundos
- estruturas no exterior
Nesse modelo, os bens deixam de estar diretamente vinculados à pessoa física e passam a ser geridos por essa estrutura.
Isso traz vantagens como:
- organização
- controle
- eficiência sucessória
- otimização tributária
Mas o novo cenário exige revisitar essa lógica.
CBS e IBS: o impacto nas operações com imóveis
Com a reforma, entram em cena a CBS e o IBS, substituindo tributos como PIS e COFINS.
O ponto crítico: operações que antes não eram tributadas passam a ser. Isso inclui:
- locação de imóveis
- movimentação de bens do ativo
- compra e venda em determinadas estruturas
Resultado: aumento de custo tributário em diversas situações.
Pessoa física também entra na nova regra
Outro ponto importante: a pessoa física também pode ser afetada.
A incidência de CBS e IBS pode ocorrer quando a renda com aluguel ultrapassa R$ 240 mil por ano ou quando há mais de 3 imóveis destinados à locação.
Nesse cenário, o contribuinte pode enfrentar um efeito combinado de imposto de renda mais elevado junto com a incidência de novos tributos.
O chamado “pior dos mundos”.
ITBI: atenção redobrada na transferência de imóveis
Com as mudanças recentes, os municípios ganham mais força para definir a base de cálculo do ITBI.
Na prática:
- o valor pode ser fixado pela Fazenda
- a margem de discussão tende a diminuir
Isso impacta diretamente operações como integralização de imóveis em holding e reorganizações patrimoniais.
ITCMD: o que muda na sucessão
A reforma também traz mudanças importantes no ITCMD como a avaliação mais elevada. A tendência é usar valores de mercado e critérios mais amplos de avaliação, o que pode aumentar o imposto.
Patrimônio no exterior
Agora há previsão para tributação, alterando estratégias internacionais.
VGBL continua vantajoso
Por outro lado, o VGBL segue como instrumento eficiente, pois:
- não entra no inventário
- não sofre incidência de ITCMD
- garante liquidez imediata aos herdeiros
Holding ainda vale a pena?
Essa é a pergunta mais comum — e a resposta continua sendo: Depende.
A decisão envolve o tamanho do patrimônio, a geração de renda e o objetivo da holding (proteção, sucessão, economia tributária). Não existe solução padrão.
O novo jogo exige antecipação
A principal mudança trazida pela reforma não é apenas o aumento de tributos — é a necessidade de planejamento.
Quem entende os impactos, revisa suas estruturas e se antecipa às mudanças tem muito mais controle sobre os custos e riscos.
O planejamento patrimonial entra em uma nova fase. Mais do que decidir entre pessoa física ou holding, será necessário:
- simular cenários
- avaliar impactos reais
- adaptar estratégias
A diferença entre pagar mais imposto ou preservar patrimônio estará, cada vez mais, na qualidade das decisões tomadas agora.
Se você quer saber mais, assista a live realizada em maio com o advogado Marco Aurélio Medeiros, que esclareceu vários pontos da tributação sobre patrimônio e locação de imóveis em nosso canal no Youtube.



